Postagens

Gota D’Água, no tempo

Imagem
Ensaio de crítica  Por Arnaldo D'Ávila  O espetáculo Gota D’Água, no tempo , dirigido e protagonizado por Georgette Fadel e CristianoTomiossi , nos coloca diante de uma questão incômoda: que século é este em que vivemos? Apesar de estarmos no século XXI, a peça escancara que pouco mudou desde os anos 70, quando Paulo Pontes e Chico Buarque criaram essa releitura de Medeia. A tragédia continua atual, revelando que as estruturas de poder e o machismo permanecem intactos, como feridas abertas que insistem em não cicatrizar. Cristiano Tomiossi e Georgette Fadel  - foto de Barbara Campos  A decisão de apresentar a obra ipsis litteris, sem grandes adaptações, é uma escolha ousada e certeira. Georgette conduz a narrativa com ironia e inteligência, transformando o público em coro vivo, cúmplice e crítico das atrocidades machistas que ecoam no palco. A interação direta com a plateia cria uma atmosfera vibrante, em que cada palavra ressoa como denúncia e cada gesto se torna ...

Georgette Fadel e Cristiano Tomiossi retomam Gota d’Água em nova montagem

Imagem
Vinte anos após a temporada de Gota d’Água Breviário , Georgette Fadel e Cristiano Tomiossi voltam a interpretar Joana e Jasão em uma nova montagem do clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes . O espetáculo, intitulado Gota d’Água – no tempo , estreia em 27 de março no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, e segue em cartaz até 3 de maio de 2026. A remontagem é assinada pela Cia. Coisas Nossas de Teatro , com direção geral de Georgette e codireção de Cristiano . Escrita em 1975, durante a ditadura militar, a peça transporta a tragédia de Eurípides para a fictícia Vila do Meio-Dia, comunidade periférica do Rio de Janeiro. A trama acompanha Joana, abandonada por Jasão quando ele decide se casar com Alma, filha de Creonte, poderoso dono do conjunto habitacional. Mais do que um drama amoroso, a obra expõe as desigualdades sociais brasileiras e as relações de poder, permanecendo atual cinco décadas após sua criação. Georgette Fadel e Cristiano Tomiossi - foto de Barbara Campos Um dos dif...

A Hora do Boi em cartaz no Teatro Ágora

Imagem
Ensaio de crítica  Por Arnaldo D'Ávila  A peça A Hora do Boi , protagonizada por Vandré Silveira , revela um trabalho de ator de grande fôlego e precisão. A construção das personagens é marcada por nuances criativas e instigantes, sustentadas por uma voz firme, movimentos expressivos e uma entrega emocional que prende o espectador. O texto, rico em referências que vão de Shakespeare a Guimarães Rosa, passando por Baudelaire, Zé Ramalho e Chico Buarque, cria uma tessitura literária que amplia o alcance da dramaturgia. Ainda que alguns ajustes pudessem lapidar melhor a estrutura dramatúrgica, o espetáculo se afirma como um exercício de teatro em sua essência, sem recorrer a artifícios desnecessários. Vandré Silveira -  Foto: Lorena Zschaber/Divulgação A cenografia, concebida por Carlos Alberto Nunes , aposta na simplicidade simbólica: correntes e carcaças de gado que evocam tanto a brutalidade quanto a memória cultural. A iluminação, assinada por Renato Machado e Anderson ...

Ensaio Sobre a Memória estreia hoje no CCBB e faz temporada com ingressos grátis

Imagem
A encenação Em cartaz de 26 de março a 6 de abril de 2026 no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, a montagem de Ensaio Sobre a Memória parte da investigação de um homem que, após ser torturado durante um regime militar latino-americano, teria delatado seus companheiros, e passado o resto da vida tentando reescrever esse passado. Com dramaturgia e direção de Marcelo Flecha , a peça se constrói como um labirinto narrativo. Um escritor e sua assistente conduzem a investigação em cena, reencenando versões contraditórias da mesma história. Nesse processo, memória e imaginação se confundem, colocando em xeque a ideia de verdade única e revelando as camadas de construção, e manipulação, dos relatos históricos. ENSAIO SOBRE A MEMÓRIA- foto: divulgação  Inspiração literária Livremente inspirado no conto A outra morte, de Jorge Luis Borges, o espetáculo desloca o foco do acontecimento para sua interpretação. Mais do que reconstituir um fato, interessa à encenação expor os mecanismos q...

Experiência Sensorial Entrega um Hamlet Pulsante

Imagem
"Hamlet, Sonhos que Virão" Crítica  por Edgar Olimpio de Souza  No esqueleto de concreto do desativado Cine Copan, em São Paulo, a nova montagem de Rafael Gomes encontra palco visceral. Mais do que cenário, de André Cortez , a arquitetura inacabada, com ferragens expostas e o pó acumulado, age como organismo que digere a tragédia de Shakespeare . O prédio, em seu estado de ruína, torna-se um personagem mudo. Ao abraçar o conceito de site-specific, em que traços físicos e históricos do local integram a dramaturgia, a encenação permite que o entulho e paredes descascadas ditem a temperatura de uma corte em decomposição moral. Gabriel Leone  - foto: Bob Wolenson / divulgação   A dessacralização do clássico, vital para evitar a museologia estéril, ganha fôlego na luz de Wagner Antônio . Sua iluminação recorta clareiras na penumbra, evocando o suspense do film noir. O figurino de Alexandre Herchcovitch funde o rigor clássico do cinza ao streetwear. Por meio do design de...

Teatro da Vertigem celebra 30 anos com Agropeça, uma crítica ao agronegócio

Imagem
O Teatro da Vertigem retorna aos palcos com Agropeça, espetáculo que mergulha no Brasil contemporâneo por meio de uma experiência cênica imersiva. A montagem, dirigida por Antonio Araújo e com texto final de Marcelino Freire , ocupa o Espaço Cultural Elza Soares , conhecido como Galpão do MST, entre 27 de fevereiro e 29 de março de 2026. A proposta reafirma a vocação do grupo em transformar espaços não convencionais em arenas de reflexão política e social.   Tenca Silva é Emilia - foto: Ligia Jardim A cenografia converte todo o ambiente em uma arena, reforçando a ideia de disputa simbólica e política. Essa escolha dialoga com a tradição do Vertigem de ocupar locais como igrejas, hospitais e presídios desativados, mas agora com foco no universo rural e na força do agronegócio. O rodeio surge como metáfora central, articulando crítica social e linguagem cênica.   Personagens do Sítio do Picapau Amarelo, como Emília, Narizinho, Pedrinho e Tia Nastácia, aparecem em rele...

"Projeto Wislawa”, de Cesar Ribeiro, faz incursão profunda na obra da escritora Wislawa Szymborska

Imagem
CRÍTICA  Por Edgar Olimpio de Souza A ironia fina e o espanto diante do cotidiano formam a viga mestra do legado da escritora polonesa Wisława Szymborska (1923-2012). Em cartaz em São Paulo, o espetáculo dirigido por Cesar Ribeiro evita a homenagem óbvia. Em vez da estrutura biográfica engessada, propõe uma incursão profunda na sua obra por meio de 'conversa cenica. No palco, a precisão verbal e gestual de Clara Carvalho cria um contraste harmónico com a sensibilidade e entrega de Vera Zimmermann . Clara Carvalho e Vera Zimmermann- foto: João Caldas  Conceitual e nada retiilnea, a trama se estrutura em torno de um ficticio assassinato da autora. O dispositivo funciona como uma metáfora contundente do exterminio da poesia pelo arbitrio de forças autoritárias. Apolada em uma estética inspirada na linguagem das HQs e da cultura de massa, a palavra converte-se em trincheira de resistência. A colagem dramatúrgica è composta por trechos de poemas que se infiltram sutilmente nos d...

O Motociclista no Globo da Morte

Imagem
CRÍTICA  Por Edgar Olímpio de Souza  Escrita por Leonardo Netto e agora em carreira paulistana, a peça tem como protagonista um matemático que se define pacifico, não assiste luta de boxe e fiirnes de guerra, sente náusea diante da violência. Ele enxerga a existência como um trajeto circular e previsível, comparando a convivência social ao movimento no globo da morte do circo - uma tentativa civilizatória de controle através da razão.  Eduardo Moscovis- foto: divulgação  Entretanto, o "homem de bem ve-se tragado pelo eclipse da lucidez e comete um ato brutal, num senso de justiça torto. Agora não busca o perdão, apenas anseia pela compreensão racional do momento em que o pilato dentro de si perdeu o prumo e ele calu no abismo. Eduardo Moscovis manipula com maestria uma gama de nivels emocionais ao explorar a dualidade fascinante do personagem, ao mesmo tempo agressor e vitima. Sentado na cadeira, entre o autoexame clínico e o banco dos réus, ele confronta o deleite ...

Festival Eles e Elas - SerTão DiVerso na Vila Itororó

Imagem
Evento gratuito reúne Caju & Castanha, Téo dos Oito Baixos, Forró da Macaxeira, Luarada Brasileira, Matheus Ferreira e Fabiane Ribeiro, Paulla Zeferino, Neide Nazaré, Cacá Lopes, Cantora Clara e Rodrigo Campi, além de artistas convidados, DJs, oficineiros e cordelistas. O festival Eles e Elas – SerTão DiVerso acontece nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2026, sexta e sábado, no Centro Cultural Vila Itororó, em São Paulo, das 13h às 20h, com entrada gratuita e recursos de acessibilidade (intérprete de Libras, audiodescrição e abafadores de ruído). Caju & Castanha  - foto: divulgação   O evento promete um grande encontro para celebrar a cultura nordestina. Com 10 atrações musicais tendo a estética do forró como eixo (forró, repente, embolada e outros), dois DJs e oficinas simultâneas de forró dança, instrumentos musicais, xilogravura e argila, além de uma exposição de cordel - linguagens e artes típicas do Nordeste brasileiro. O evento vai reunir mais de 70 artistas nos doi...

O Retorno

Imagem
CRÍTICA Por Edgar Olimpio de Souza  O texto do dramaturgo norueguês Fredrik Brattberg é uma incursão visceral no estudo do luto, encarado como uma ferida que insiste em não cicatrizar. Compositor de formação, o autor tece um drama não convencional, marcado por frases curtas, humor seco e silêncios estratégicos. Como uma melodia em construção, a partitura dramática circular revela variações sobre o mesmo tema. Cada falecimento e ressurreição altera a cadência das mise-en-scène, num trânsito em espiral entre o melancólico ao acelerado e frenético. Em cartaz em São Paulo, o espetáculo rompe com o realismo psicológico e instaura uma encenação com ares de pesadelo. Projeções nas paredes inscrevem a psique conturbada das personagens, emolduradas por trilha sonora de tons infantis e metafísicos. A iluminação tátil de Aline Santini , pontuada por cortes bruscos matemáticos, exerce função essencial. Através de um contraste claro e escuro que emula a pintura barroca de Caravaggio, ela sinal...

Histórico: O Agente Secreto conquista 4 indicações ao Oscar e Wagner Moura quebra barreira inédita

Imagem
Por Arnaldo D’Ávila| São Paulo 22 de janeiro de 2026 O cinema brasileiro vive hoje um dos dias mais gloriosos de sua história. A Academia de Hollywood revelou nesta manhã os indicados ao Oscar 2026, e o thriller político O Agente Secreto , dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho , confirmou o favoritismo ao conquistar quatro indicações, igualando o recorde de Cidade de Deus (2004). O maior destaque, porém, vai para Wagner Moura . Ao ser indicado na categoria de Melhor Ator, ele se torna o primeiro brasileiro na história a concorrer nesta categoria principal de atuação, consolidando uma temporada de prêmios avassaladora que já incluiu a vitória no Globo de Ouro no início deste mês. O Ator Wagner Moura em cena do filme O Agente Secreto   As categorias de O Agente Secreto no Oscar 2026: O longa aparece em categorias de peso, demonstrando o prestígio da produção no cenário global: 1.  Melhor Filme : O Brasil volta à categoria principal pelo segundo ano consecutivo (após...

1ª Mostra Gargalhão de Comicidade e Máscaras acontece no Teatro Commune em São Paulo

Imagem
A 1ª Mostra Gargalhão de Comicidade e Máscaras teve início em 16 de janeiro, no Teatro Commune, com o espetáculo português “O Amor é Fodido”. O evento reúne produções nacionais e internacionais e segue até 25 de janeiro, no dia de aniversário de 472 anos da cidade de São Paulo, com uma programação voltada à diversidade de formatos e linguagens cômicas.   A Arrombada, peça que encerra a Mostra no dia 25/01, sob direção de Carlos ABC e dramaturgia de Antônio Rogério Toscano, uma produção da Cia Metamorfose, que vem da cidadede Piracicaba. Entre as atrações, estão apresentações de teatro cômico de texto e clássico, comicidade física, comédia de improviso, além de diferentes tradições de máscaras, como as da Commedia dell’Arte, clown e bufão.   De acordo com os organizadores, o objetivo da mostra é abrir espaço para artistas, grupos e companhias de São Paulo, de outros estados e países, promovendo uma agenda variada e acessível ao público durante o mês de janeiro. ...

A mais recente montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em São Paulo, no Teatro Arthur Azevedo

Imagem
O ator e contador de histórias Tay Lopez - foto: Osvaldo Grabieli  O Grupo XPTO estreia em Suão Paulo sua mais recente montagem, “As Pedras de Javier”, no Teatro Arthur Azevedo, a partir de 24 de janeiro. Com apresentações gratuitas aos sábados e domingos, o espetáculo mergulha o público em uma narrativa poética e fantástica, conduzida por um jovem misterioso que revive as aventuras de seu mestre Javier, um bonequeiro errante que percorreu o mundo recolhendo pedras e transformando-as em histórias. A peça propõe uma jornada que atravessa tempos e lugares, da guerra de Troia às lendas chilenas, passando por mitos da Índia e ilhas imaginárias. Inspirada na obra do poeta e bonequeiro argentino Javier Villafañe, a montagem homenageia um dos nomes mais icônicos do Teatro de Bonecos mundial. Villafañe criou o personagem “O homem que carregava pedras para aliviar o peso das montanhas”, que serviu de ponto de partida para a dramaturgia desenvolvida por Osvaldo Gabrieli, autor e diretor da p...

Nelson Rodrigues no Bixiga: Grupo "Virada da Encruza" reestreia releitura de "7 Gatinhos" com participação de Jup do Bairro

Imagem
 O Teatro  Oficina irá receber o grupo  Virada da Encruza , formado por artistas egressos da Universidade Antropófaga do Teatro Oficina, traz ao para a pista uma nova e corajosa montagem de "7 Gatinhos" , clássico de Nelson Rodrigues escrito em 1957. A encenação, que promete transpor o texto original para as tensões de 2025, conta com um reforço de peso: a artista multimídia Jup do Bairro. Grupo Virada da Encruza - foto: Pedro  Martins  A trama mergulha na intimidade da família de Dona Aracy (a Gorda) e Seu Noronha, um contínuo da Câmara dos Deputados. Na adaptação residem em um cortiço no Bixiga o casal e suas quatro filhas vivem sob uma estrutura de aparências mantida por barganhas morais e silêncios estratégicos. O equilíbrio da casa depende da projeção de pureza sobre Silene, a filha caçula mantida em um colégio interno. O conflito explode quando o retorno inesperado da caçula desmancha a engrenagem familiar, revelando segredos, violências e o "sangue puro s...

Entre a Cruz e os Canibais estreia na semana de aniversário de São Paulo

Imagem
No aniversário de 472 anos da cidade de São Paulo, estreia o espetáculo Entre a Cruz e os Canibais, uma comédia farsesca que revisita os primeiros anos da Vila de Piratininga e expõe as contradições do projeto colonial. Ambientada em 1599, a peça coloca em cena quatro personagens – o Juiz, o Governador-geral, o Vereador e o Procurador – para discutir, com humor e escárnio, os conflitos políticos e sociais que marcaram a formação da cidade. A montagem busca questionar a construção da imagem heroica dos bandeirantes, associada ao mito do progresso paulista, e revelar o grotesco escondido sob o verniz da modernidade.   Cena de  Entre a Cruz e os Canibais - Foto:  Heloisa Bortz A trama se desenrola com a chegada de Dom Francisco de Souza, o Governador-geral apelidado de “das Manhas”, à pequena vila isolada pela Serra do Mar. Enquanto o Juiz enfrenta a revolta dos moradores e teme um ataque indígena, o Vereador é acusado de sequestrar tupis aliados, e o Procurador, próxim...

Medea, de Séneca, ganha montagem inédita dirigida por Gabriel Villela no Sesc Consolação

Imagem
  Medea - Rosana Stavis com o Coro - Foto: Joao Caldas  A fúria, a vingança e a desmedida humana chegam ao palco do Sesc Consolação a partir de 29 de janeiro de 2026, com a estreia nacional de Medea , tragédia de Séneca dirigida por Gabriel Villela . O espetáculo, que segue em temporada até 8 de março, traz uma leitura contundente do mito da mãe que mata os próprios filhos, revisitado pelo filósofo romano quatro séculos após a versão de Eurípides. Três intérpretes para uma Medea A montagem apresenta uma proposta singular: três atrizes dão corpo à personagem Medea. Rosana Stavis , Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros dividem o papel da protagonista, ampliando a dimensão simbólica da personagem. O elenco se completa com Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro. A violência em cena Ao contrário da tradição grega, em que os deuses eram responsáveis pelas desmedidas humanas, Séneca coloca o peso das ações nos próprio...

Coletivo 28 Patas Furiosas estreia espetáculo infantil no Sesc Avenida Paulista

Imagem
O Coletivo 28 Patas Furiosas apresenta Barulhos, seu primeiro espetáculo criado especialmente para crianças, com direção de Valéria Rocha . As sessões acontecem de 10 de janeiro a 1º de fevereiro, sempre aos sábados e domingos, às 11h, no Sesc Avenida Paulista. Com doze anos de trajetória, o grupo consolidou-se na cena teatral paulistana por meio de uma pesquisa que articula teatro, artes visuais e performance, explorando espaços inventivos e dramaturgias autorais. Em sua nova criação, o coletivo oferece às infâncias uma experiência cênica que atravessa o território dos sonhos, investigando diferentes materialidades. Em um mundo cada vez mais mediado por telas e marcado por um pensamento excessivamente concreto, a peça propõe um encontro entre imaginação, artesania teatral e sensibilidade, reforçando a parceria contínua com o dramaturgo Tadeu Renato. Fotógrafa: Helena Wolfenson Desde 2020, o 28 Patas Furiosas desenvolve uma pesquisa artística sobre os sonhos da cidade de São Paulo. I...

{FÉ}STA inaugura temporada 2026 do Sesc Pompeia

Imagem
O Sesc Pompeia abre sua programação teatral de 2026 com a estreia de {FÉ}STA , novo espetáculo do Coletivo Prot{agô}nistas , que transforma o picadeiro em território de memória e invenção. A montagem celebra o circo negro como espaço de resistência e beleza, evocando ancestralidade e espiritualidade em números que unem dança, música e acrobacias. A temporada acontece entre 16 de janeiro e 8 de fevereiro, com sessões às sextas, sábados e domingos, além de apresentações extras em algumas sextas-feiras. Fotógrafo: Sergio Fernandes  Após sete anos de trajetória e do impacto de sua primeira obra, Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro , o coletivo aprofunda sua pesquisa estética afro-diaspórica em {FÉ}STA . A encenação, dirigida por Ricardo Rodrigues , parte de quatro eixos que atravessam a existência humana — morte, união, vida e fé — e os traduz em imagens poéticas e sensoriais. O espetáculo reúne nove intérpretes em cena, que se revezam entre acrobacias, dança e músic...

Adulto

Imagem
Crítica por Edgar Olimpio de Souza Escrita por Fran Ferraretto , a peça Adulto é um entrelaçamento entre o drama psicológico, a crítica social e a metalinguagem. Com diálogos incisivos, a obra estabelece um duplo filtro de realidade: a turbulenta trajetória do casal Sara e João e o processo de criação da dramaturgia. Foto: divulgação  O título carrega uma ironia mordaz, definindo a condição de adulto como resultado da exaustão, crise e o peso do capitalismo de performance. O espetáculo pulsante mergulha em temas como a desigualdade de gênero, a maturidade tardia e a função lúdica da arte. Na hábil encenação, a diretora Lavínia Pannunzio potencializa o recurso brechtiano. Os atores rompem a quarta parede, estimulando o público ao raciocínio crítico sobre as causas sociais do drama. O espectador logo descobre que a trama intensa é a peça escrita pela própria protagonista, que usa a autoria para reescrever e controlar sua realidade. O ato de Sara se tornar autora é culminante: no me...

Estilhaços poéticos contra a tradição — o experimento polifônico de Black Machine

Imagem
O espetáculo Black Machine surge como uma provocação estética e política, defendendo o ser humano como “pleno de possibilidades e oportunidades”, nas palavras de Eugênio. A montagem se insere no campo do audiovisual expandido, com música constante e uma videografia projetada em três telas que dialogam intensamente com as dramaturgias sonora e textual. Em cena, Fernando Lufer e Marina Esteves dão corpo a textos que, em diversos momentos, se aproximam da linguagem do spoken word, criando uma atmosfera de manifesto poético.   Black Machine  - foto: Sergio Silva  A proposta visual aposta no afro-surrealismo, mesclando passado, presente e futuro em um mesmo espaço-tempo. Essa simultaneidade expõe feridas históricas, evoca ancestralidades e constrói novas realidades, em um gesto que desafia a linearidade narrativa tradicional. A estética se torna, assim, um campo de resistência e reinvenção, onde o palco se transforma em território de memória e futuro.   Na sinop...