Entre a Cruz e os Canibais estreia na semana de aniversário de São Paulo

No aniversário de 472 anos da cidade de São Paulo, estreia o espetáculo Entre a Cruz e os Canibais, uma comédia farsesca que revisita os primeiros anos da Vila de Piratininga e expõe as contradições do projeto colonial. Ambientada em 1599, a peça coloca em cena quatro personagens – o Juiz, o Governador-geral, o Vereador e o Procurador – para discutir, com humor e escárnio, os conflitos políticos e sociais que marcaram a formação da cidade. A montagem busca questionar a construção da imagem heroica dos bandeirantes, associada ao mito do progresso paulista, e revelar o grotesco escondido sob o verniz da modernidade.  

Cena de Entre a Cruz e os Canibais - Foto: Heloisa Bortz

A trama se desenrola com a chegada de Dom Francisco de Souza, o Governador-geral apelidado de “das Manhas”, à pequena vila isolada pela Serra do Mar. Enquanto o Juiz enfrenta a revolta dos moradores e teme um ataque indígena, o Vereador é acusado de sequestrar tupis aliados, e o Procurador, próximo das comunidades nativas, espera que a lei contra a escravização seja cumprida. O enredo, marcado por tensões e interesses cruzados, evidencia o momento em que São Paulo inicia seu primeiro impulso econômico, justamente à custa da exploração da mão de obra indígena.  

Dirigida e escrita por Marcos Damigo, a montagem nasceu da leitura do clássico São Paulo Nos Primeiros Anos. 1554-1601, de Afonso D'Escragnolle Taunay, que descreve as dificuldades enfrentadas pelos fundadores da cidade. Damigo conta com consultoria de nomes como Luís Alberto de Abreu e Paulo Rezzutti, além do apoio do historiador Rodrigo Bonciani. Para ele, o humor é a melhor estratégia para questionar a narrativa oficial: “Criamos uma comédia de escárnio que dialoga com a tradição popular e destaca os absurdos que foram normalizados ao longo da história”, afirma.  

O elenco reúne os artistas: José Rubens Chachá (Juiz), Fábio Espósito (Vereador), Daniel Costa (Procurador) e Thiago Claro França (Governador-geral). O figurino de Marichilene Artisevskis incorpora referências do modernismo e da tropicália, enquanto o cenário é composto por lonas pintadas à mão por Jonato e Ever. A trilha sonora original de Adriano Salhab e o vídeo criado pelo cineasta guarani Richard Wera Mirim reforçam a ponte entre passado e presente. Com humor ácido e olhar crítico, Entre a Cruz e os Canibais propõe uma reflexão sobre os mitos de fundação da cidade e sobre o custo histórico do chamado “desenvolvimento a qualquer preço”.  


SERVIÇO 

Duração: 85 minutos 

Classificação indicativa: 12 anos 

Gênero: comédia musical

Data: 22 de janeiro a 15 de fevereiro de 2026

Temporada: Quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h

Acessibilidade: 23 de janeiro - Libras e audiodescrição

Local: Teatro Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo, SP

Estacionamento: gratuito (vagas limitadas)

Telefone: (11) 2604-5558

Ingresso: R$20,00 (inteira)/R$10,00 (meia entrada) | Bilheteria presencial aberta uma hora antes de cada sessão | Ingressos online: www.sympla.com - Link direto da Sympla: ⏩️AQUI 


 


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