Experiência Sensorial Entrega um Hamlet Pulsante
"Hamlet, Sonhos que Virão"
Crítica
por Edgar Olimpio de Souza
No esqueleto de concreto do desativado Cine Copan, em São Paulo, a nova montagem de Rafael Gomes encontra palco visceral. Mais do que cenário, de André Cortez, a arquitetura inacabada, com ferragens expostas e o pó acumulado, age como organismo que digere a tragédia de Shakespeare. O prédio, em seu estado de ruína, torna-se um personagem mudo. Ao abraçar o conceito de site-specific, em que traços físicos e históricos do local integram a dramaturgia, a encenação permite que o entulho e paredes descascadas ditem a temperatura de uma corte em decomposição moral.
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| Gabriel Leone - foto: Bob Wolenson / divulgação |
O elenco ajustado valoriza a saga do príncipe da Dinamarca envolvido em um jogo de podridão e interesses. Gabriel Leone imprime ao protagonista voltagem febril, sem pompa acadêmica, trocando o lamento pela urgência. Eucir de Souza realiza dobra perturbadora ao viver o usurpador Cláudio e o espectro do rei morto, borrando a fronteira entre o alvo da vingança e a memória paterna. Susana Ribeiro, como Gertrudes, compõe uma rainha de autoridade contida, equilibrando-se entre a sobrevivência política e a dor.
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| Gabriel Leone e Samya Pascotto- foto: Bob Wolfenson |
Em cartaz no Nu Cine Copan (Av. Ipiranga, 200, Centro). Quarta, 20h; quinta, 20h30; sexta, 20h; sábado, 16h e 20h; domingo, 17h. Ingresso: R$ 25 a R$ 200.
(Edgar Olimpio de Souza é crítico da APCA)


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