Gota D’Água, no tempo
Ensaio de crítica Por Arnaldo D'Ávila O espetáculo Gota D’Água, no tempo , dirigido e protagonizado por Georgette Fadel e CristianoTomiossi , nos coloca diante de uma questão incômoda: que século é este em que vivemos? Apesar de estarmos no século XXI, a peça escancara que pouco mudou desde os anos 70, quando Paulo Pontes e Chico Buarque criaram essa releitura de Medeia. A tragédia continua atual, revelando que as estruturas de poder e o machismo permanecem intactos, como feridas abertas que insistem em não cicatrizar. Cristiano Tomiossi e Georgette Fadel - foto de Barbara Campos A decisão de apresentar a obra ipsis litteris, sem grandes adaptações, é uma escolha ousada e certeira. Georgette conduz a narrativa com ironia e inteligência, transformando o público em coro vivo, cúmplice e crítico das atrocidades machistas que ecoam no palco. A interação direta com a plateia cria uma atmosfera vibrante, em que cada palavra ressoa como denúncia e cada gesto se torna ...