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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Teatro da Vertigem celebra 30 anos com Agropeça, uma crítica ao agronegócio

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O Teatro da Vertigem retorna aos palcos com Agropeça, espetáculo que mergulha no Brasil contemporâneo por meio de uma experiência cênica imersiva. A montagem, dirigida por Antonio Araújo e com texto final de Marcelino Freire , ocupa o Espaço Cultural Elza Soares , conhecido como Galpão do MST, entre 27 de fevereiro e 29 de março de 2026. A proposta reafirma a vocação do grupo em transformar espaços não convencionais em arenas de reflexão política e social.   Tenca Silva é Emilia - foto: Ligia Jardim A cenografia converte todo o ambiente em uma arena, reforçando a ideia de disputa simbólica e política. Essa escolha dialoga com a tradição do Vertigem de ocupar locais como igrejas, hospitais e presídios desativados, mas agora com foco no universo rural e na força do agronegócio. O rodeio surge como metáfora central, articulando crítica social e linguagem cênica.   Personagens do Sítio do Picapau Amarelo, como Emília, Narizinho, Pedrinho e Tia Nastácia, aparecem em rele...

"Projeto Wislawa”, de Cesar Ribeiro, faz incursão profunda na obra da escritora Wislawa Szymborska

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CRÍTICA  Por Edgar Olimpio de Souza A ironia fina e o espanto diante do cotidiano formam a viga mestra do legado da escritora polonesa Wisława Szymborska (1923-2012). Em cartaz em São Paulo, o espetáculo dirigido por Cesar Ribeiro evita a homenagem óbvia. Em vez da estrutura biográfica engessada, propõe uma incursão profunda na sua obra por meio de 'conversa cenica. No palco, a precisão verbal e gestual de Clara Carvalho cria um contraste harmónico com a sensibilidade e entrega de Vera Zimmermann . Clara Carvalho e Vera Zimmermann- foto: João Caldas  Conceitual e nada retiilnea, a trama se estrutura em torno de um ficticio assassinato da autora. O dispositivo funciona como uma metáfora contundente do exterminio da poesia pelo arbitrio de forças autoritárias. Apolada em uma estética inspirada na linguagem das HQs e da cultura de massa, a palavra converte-se em trincheira de resistência. A colagem dramatúrgica è composta por trechos de poemas que se infiltram sutilmente nos d...

O Motociclista no Globo da Morte

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CRÍTICA  Por Edgar Olímpio de Souza  Escrita por Leonardo Netto e agora em carreira paulistana, a peça tem como protagonista um matemático que se define pacifico, não assiste luta de boxe e fiirnes de guerra, sente náusea diante da violência. Ele enxerga a existência como um trajeto circular e previsível, comparando a convivência social ao movimento no globo da morte do circo - uma tentativa civilizatória de controle através da razão.  Eduardo Moscovis- foto: divulgação  Entretanto, o "homem de bem ve-se tragado pelo eclipse da lucidez e comete um ato brutal, num senso de justiça torto. Agora não busca o perdão, apenas anseia pela compreensão racional do momento em que o pilato dentro de si perdeu o prumo e ele calu no abismo. Eduardo Moscovis manipula com maestria uma gama de nivels emocionais ao explorar a dualidade fascinante do personagem, ao mesmo tempo agressor e vitima. Sentado na cadeira, entre o autoexame clínico e o banco dos réus, ele confronta o deleite ...

Festival Eles e Elas - SerTão DiVerso na Vila Itororó

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Evento gratuito reúne Caju & Castanha, Téo dos Oito Baixos, Forró da Macaxeira, Luarada Brasileira, Matheus Ferreira e Fabiane Ribeiro, Paulla Zeferino, Neide Nazaré, Cacá Lopes, Cantora Clara e Rodrigo Campi, além de artistas convidados, DJs, oficineiros e cordelistas. O festival Eles e Elas – SerTão DiVerso acontece nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2026, sexta e sábado, no Centro Cultural Vila Itororó, em São Paulo, das 13h às 20h, com entrada gratuita e recursos de acessibilidade (intérprete de Libras, audiodescrição e abafadores de ruído). Caju & Castanha  - foto: divulgação   O evento promete um grande encontro para celebrar a cultura nordestina. Com 10 atrações musicais tendo a estética do forró como eixo (forró, repente, embolada e outros), dois DJs e oficinas simultâneas de forró dança, instrumentos musicais, xilogravura e argila, além de uma exposição de cordel - linguagens e artes típicas do Nordeste brasileiro. O evento vai reunir mais de 70 artistas nos doi...

O Retorno

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CRÍTICA Por Edgar Olimpio de Souza  O texto do dramaturgo norueguês Fredrik Brattberg é uma incursão visceral no estudo do luto, encarado como uma ferida que insiste em não cicatrizar. Compositor de formação, o autor tece um drama não convencional, marcado por frases curtas, humor seco e silêncios estratégicos. Como uma melodia em construção, a partitura dramática circular revela variações sobre o mesmo tema. Cada falecimento e ressurreição altera a cadência das mise-en-scène, num trânsito em espiral entre o melancólico ao acelerado e frenético. Em cartaz em São Paulo, o espetáculo rompe com o realismo psicológico e instaura uma encenação com ares de pesadelo. Projeções nas paredes inscrevem a psique conturbada das personagens, emolduradas por trilha sonora de tons infantis e metafísicos. A iluminação tátil de Aline Santini , pontuada por cortes bruscos matemáticos, exerce função essencial. Através de um contraste claro e escuro que emula a pintura barroca de Caravaggio, ela sinal...