“Jeca, um povo ainda há de vingar”: poesia, ancestralidade e resistência em cena
Ensaio de crítica por Arnaldo D’Ávila O espetáculo Jeca, um povo ainda há de vingar é uma obra de múltiplas camadas, que se desdobra em poesia, signos, misticismo, ancestralidade e representatividade. A trama gira em torno de um abacateiro, símbolo de memória e permanência, e acompanha a trajetória de uma família sertaneja, especialmente de um filho que parte para o mundo como cantador e retorna em diferentes momentos, encontrando tudo transformado. A peça fala dos moradores de um vilarejo, da relação profunda entre o sertanejo e a terra, e da força de um povo que resiste. Jeca - Um Povo Ainda Há de Vingar - foto de Pri Fiotti A dramaturgia, assinada por Lucas Moura da Conceição, é construída a partir do álbum Refazenda, de Gilberto Gil, e do poema cênico de Marcelino Freire, que empresta a poesia de Gil para recriar uma história mística e potente. O texto é uma verdadeira obra-prima, que resgata o valor da palavra e da poesia no teatro, elementos que têm se perdido em meio ...