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Mostrando postagens de outubro, 2025

“Jeca, um povo ainda há de vingar”: poesia, ancestralidade e resistência em cena

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Ensaio de crítica por Arnaldo D’Ávila  O espetáculo Jeca, um povo ainda há de vingar é uma obra de múltiplas camadas, que se desdobra em poesia, signos, misticismo, ancestralidade e representatividade. A trama gira em torno de um abacateiro, símbolo de memória e permanência, e acompanha a trajetória de uma família sertaneja, especialmente de um filho que parte para o mundo como cantador e retorna em diferentes momentos, encontrando tudo transformado. A peça fala dos moradores de um vilarejo, da relação profunda entre o sertanejo e a terra, e da força de um povo que resiste. Jeca - Um Povo Ainda Há de Vingar  - foto de Pri Fiotti A dramaturgia, assinada por Lucas Moura da Conceição, é construída a partir do álbum Refazenda, de Gilberto Gil, e do poema cênico de Marcelino Freire, que empresta a poesia de Gil para recriar uma história mística e potente. O texto é uma verdadeira obra-prima, que resgata o valor da palavra e da poesia no teatro, elementos que têm se perdido em meio ...

SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea se expande para o Brasil em sua 5ª edição

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Entre outubro e novembro, os espetáculos Primeiro Amor e Curva Cega se apresentam na MIAC - Mostra Internacional de Arte Contemporânea (POA/RS), no FIMC - Festival Internacional de Máscaras do Cariri (CE), e em duas unidades do Sesc SP: Taubaté e Sorocaba. Muna Mussie em cena de Curva Cega Crédito: Claudia Pajewski AQUI A SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea nasceu em 2019, com idealização e curadoria de Rachel Brumana e, desde a primeira edição, traz ao Brasil artistas e espetáculos expoentes da cena contemporânea italiana, que representam a mais recente produção artística do país e dialogam com a nossa potente cena local. Realizado pela Associação SÙ de Cultura e Educação, o projeto teve quatro edições na cidade de São Paulo, no formato de mostra com uma semana de duração. Entre 2019 e 2024, a SCENA consolidou-se graças à parceria entre o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e o Sesc SP.  Em 2025, essa importante ponte entre Itália e Brasil ganha um novo ...

Espetáculo "Carta à Rainha Louca" celebra 18 anos do Núcleo Toada com temporada na Ocupação 9 de Julho

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Com direção de Patrícia Gifford e direção musical de Fernanda Maia, o Núcleo Toada apresenta o espetáculo Carta à Rainha Louca na Ocupação 9 de Julho, em São Paulo. A montagem é fruto da residência artística realizada no local, onde o grupo desenvolveu pesquisas, ensaios e a criação cênica. A temporada integra o Programa de Fomento ao Teatro e marca os 18 anos de trajetória do Núcleo Toada, reconhecido por seu trabalho que cruza teatro e música, com foco no corpo coletivo, na voz e na presença feminina. Elenco de Carta à Rainha Louca - Foto Daisy Serena Inspirado no romance homônimo de Maria Valéria Rezende, vencedor do Prêmio Oceanos 2020, o espetáculo narra a história de Isabel das Santas Virgens, mulher que, no século XVIII, fundou uma comunidade para acolher mulheres marginalizadas. Acusada injustamente de criar um convento clandestino, Isabel é presa e escreve uma carta à Rainha Maria I de Portugal, conhecida como “Rainha Louca”, em busca de justiça e liberdade. A peça transforma ...

Que tal um encontro secreto com Antígona?

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Entre os dias 16 de outubro e 30 de novembro, Renata Carvalho estreia seu novo espetáculo, Antígona Travesti , uma releitura da tragédia grega que transforma o teatro em célula de resistência contra a tirania de Creonte, um líder religioso de extrema direita. A montagem se apresenta como uma reunião secreta, circulando por espaços como Vila Maria Zélia, Teatro Taib, Casa 1, Teatro de Arena Eugênio Kusnet e Ocupação Nove de Julho. Para participar, é necessário escrever diretamente para Antígona via WhatsApp, mantendo o mistério sobre data, horário e local. Renata Carvalho  - foto de Ligia Jardim  Na trama, Antígona dirige uma ONG dedicada ao acolhimento de pessoas trans na megalópole Tebas, recém-golpeada por Creonte. Após o assassinato brutal de sua filha Policine, uma travesti de 23 anos, a protagonista enfrenta o regime que proíbe o sepultamento da jovem com roupas femininas e seu nome verdadeiro na lápide. A partir daí, Antígona organiza encontros clandestinos com travestis...

Solo "Mamão Papai" estreia no CCSP com narrativa potente sobre erotismo, trauma e identidade feminina

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Com criação, dramaturgia e atuação de Pâmela Côto e direção de Carla Zanini, o solo "Mamão Papai" estreia no dia 15 de outubro no Centro Cultural São Paulo, propondo uma jornada íntima e visceral pelas experiências femininas de erotismo, violência e ruptura. A peça, que segue em cartaz até o dia 19 de outubro e depois migra para o Teatro Arthur Azevedo em novembro, parte de um reencontro familiar caótico entre uma mulher e seu pai, após anos de silêncio. Nesse cenário, a protagonista compartilha memórias afetivas e sexuais, expondo as complexidades de sua trajetória e questionando os papéis sociais impostos às mulheres. Pâmela Côto - foto de Rafaela Guitel A montagem, que conta com colaboração dramatúrgica de Maria Isabel Iorio, mergulha em uma narrativa de autoficção onde o prazer é ressignificado como potência e resistência. A personagem principal confronta figuras masculinas que marcaram sua vida com diferentes formas de violência, enquanto tenta reconstruir a relação com ...

Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo Retorna com Edição Internacional

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A quarta edição do Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo (Dona Ruth: FTNsp) está confirmada para ocorrer entre os dias 17 a 26 de outubro de 2025, marcando seu retorno após um hiato de três anos. O evento, com programação inteiramente gratuita e recursos de acessibilidade, será realizado em importantes espaços culturais da capital paulista, como Itaú Cultural, Sesc 24 de Maio, Sesc Bom Retiro, Complexo Cultural Funarte SP e iBT - Instituto Brasileiro de Teatro. Segundo o diretor geral e curador, Gabriel Cândido, a edição tem como objetivo oferecer "outras possibilidades de olharmos para as elaborações poéticas, estéticas e éticas das cenas negras diaspóricas contemporâneas." O Festival homenageia permanentemente a atriz Ruth de Souza, reconhecendo sua trajetória como um símbolo de abertura de caminhos para artistas negros. Pela primeira vez em sua história, o FTNsp contará com espetáculos internacionais, focando na ‘Améfrica Ladina’, conceito da intelectual Lélia G...

Clara Carvalho, Magali Biff, Mariana Muniz e Vera Zimmermann protagonizam Projeto Clarice

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O espetáculo Projeto Clarice , dirigido por Cesar Ribeiro , reúne as atrizes Clara Carvalho, Magali Biff, Mariana Muniz e Vera Zimmermann em uma montagem que adapta cinco contos de Clarice Lispector: Via Crucis, Menino a Bico de Pena, A Legião Estrangeira, Amor e O Ovo e a Galinha. A peça estreia no Teatro Cacilda Becker  no dia 16 de outubro e ficará  cartaz de quinta a domingo até o dia 9 de novembro. A proposta é refletir sobre o feminino por meio de temas como subjetividade, identidade, alteridade, família e afetos, presentes na obra da escritora. Clara Carvalho, Vera Zimmermann, Mariana Muniz e Magali Biff - foto de João Caldas Cada atriz protagoniza um conto, revelando diferentes facetas da experiência feminina. As narrativas se alternam entre cenas individuais e coletivas, explorando o cotidiano através de epifanias e monólogos interiores. A encenação propõe uma estética da utopia, mesclando realismo, simbolismo e extrarrealismo, com cenografia simbólica e acumulativa....

Aves da Noite de Hilda Hilst circula por cinco cinco cidades paulistas

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 O aclamado espetáculo teatral "As Aves da Noite", escrito por Hilda Hilst há 57 anos e vencedor do Prêmio APCA 2022 de Melhor Espetáculo Virtual, inicia uma turnê gratuita por cinco cidades do estado de São Paulo. Com direção de Hugo Coelho, a montagem, cuja história se passa no campo de concentração nazista de Auschwitz, terá apresentações de 10 de outubro a 02 de novembro. Walter Breda - foto de Heloísa Bortz A peça é baseada na história real de Maximilian Kolbe, um padre franciscano que se ofereceu para morrer no lugar de um judeu no "porão da fome" em Auschwitz. No palco, o drama explora o confinamento e o conflito de prisioneiros condenados à morte, abordando temas profundos como Deus, o mal, a crueldade e a dignidade humana. Segundo o diretor Hugo Coelho, a encenação é uma "versão contemporânea" do texto de Hilst e atua como um "grito contra a barbárie, contra o fascismo que usa a violência como instrumento de ação política". A montagem co...

O Retorno às Raízes em Cena: Grupo 59 Reimagina 'Refazenda' de Gilberto Gil

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​O Sesc Consolação será palco de uma reverência à música popular brasileira com a estreia de "Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar" , o mais novo musical original do Grupo 59 de Teatro . Livremente inspirado no álbum "Refazenda" (1975), de Gilberto Gil , que completa 50 anos, o espetáculo mergulha na jornada de emancipação de um homem do povo a partir da conexão com suas raízes. Com direção de Kleber Montanheiro e dramaturgia de Lucas Moura da Conceição e poemas de Marcelino Freire , a montagem estreia no Teatro Anchieta no dia 24 de outubro , e fica em cartaz até 23 de novembro. Felipe Gomes e Fernando Vicente  - foto de Gustavo Mendes  A peça acompanha Jeca Total , uma alegoria coletiva de um povo, em uma viagem de retorno ao seu lugar de infância, revendo-se através de sua memória afetiva e da cultura popular. Estruturada em uma metáfora cíclica das estações da vida e da música, a dramaturgia dá vida a personagens e paisagens das letras do álbum de Gil, como na...

Intervenção teatral “Gritos no Silêncio” percorre teatros da Zona Leste de São Paulo

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A potente pergunta “Quantas mortes cabem na vida de uma mulher?” ecoa como fio condutor da intervenção teatral Gritos no Silêncio, que circula por teatros da Zona Leste de São Paulo durante o mês de outubro. Com atuação de Célia Ramos e Maria Vitória Siviero, a peça propõe uma reflexão profunda sobre a violência doméstica e familiar, inspirada em histórias reais extraídas do livro Enquanto Não Cicatriza – Histórias de Mulheres que Sobreviveram. Após cada apresentação, o público é convidado a participar de um bate-papo com as atrizes e a assistente social Ester Francisco da especialista no tema, para debater formas de enfrentamento e acolhimento. Célia Ramos e Maria Vitória Siviero - foto divulgação  A encenação mistura música, performance e depoimentos para retratar os ciclos de dor vividos por mulheres em situação de violência. A proposta é suspender a realidade por instantes e dar voz às experiências silenciadas, promovendo empatia e conscientização. “Buscamos através deste traba...

A Outra Revolução dos Bichos

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Por Edgar  Olímpio de Souza O espetácule-salo é um triunfo do minimalismo cenico e da atuação total, resgatando a força bruta da obra de George Orwel Há uma ausência intencional de cenários e outros recursos cênicos. Na caixa preta, apenas preenchida pela iluminação pontual, o ator descalço veste camisa e calça pretas. Toda a responsabilidade narrativa se concentra na sua performance Intensa, A montagem e uma masterclass em composição vocal e fisica, na qual Gustavo Damasceno abdica da narração em favor de um diálogo direto, assumindo o corpo, as emissões sonoras e a personalidade de cada criatura. Seu trabalho exige um grande controle da garganta e da articulação e um esforço corporal extremo e meticuloso, seja andando de quatro para compor porcos e cabras, emulando os movimentos de um cavalo ou balançando os braços como se fossem as asas de um corvα. Adaptada por Daniela Persira de Carvalho, a trama complexa é compreensível mesmo para quem não leu o livro. A genialidade da encena...

GrupoTrapo estreia O Auto de Aparecida na Funarte

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O Grupo Trapo celebra seus 25 anos com o espetáculo O Auto de Aparecida - Onde as Águas Contam Histórias , que estreia no dia 12 de outubro no Complexo Cultural Funarte São Paulo. A montagem mergulha no universo simbólico das águas e da cultura popular brasileira, evocando memórias coletivas e tradições que atravessam gerações. Inspirado na devoção à Nossa Senhora Aparecida, o espetáculo transforma o palco em um território de fé, festa e imaginação. Concebido e dirigido por Muriel Vittorea , o espetáculo dialoga com a tradição dos autos populares e homenageia mestres da dramaturgia brasileira, como Ariano Suassuna. A encenação mistura personagens cômicos, devocionais e humanos, recriando histórias que refletem o Brasil profundo. Mais do que uma peça teatral, trata-se de um rito que celebra a memória, a resistência e a arte popular. Grupo Trapo - foto de Thaina Piauilino Durante a apresentação, os atores se multiplicam em figuras que transitam entre o sagrado e o profano, como em um ri...