A Outra Revolução dos Bichos

Por Edgar  Olímpio de Souza

O espetácule-salo é um triunfo do minimalismo cenico e da atuação total, resgatando a força bruta da obra de George Orwel Há uma ausência intencional de cenários e outros recursos cênicos. Na caixa preta, apenas preenchida pela iluminação pontual, o ator descalço veste camisa e calça pretas. Toda a responsabilidade narrativa se concentra na sua performance Intensa,


A montagem e uma masterclass em composição vocal e fisica, na qual Gustavo Damasceno abdica da narração em favor de um diálogo direto, assumindo o corpo, as emissões sonoras e a personalidade de cada criatura. Seu trabalho exige um grande controle da garganta e da articulação e um esforço corporal extremo e meticuloso, seja andando de quatro para compor porcos e cabras, emulando os movimentos de um cavalo ou balançando os braços como se fossem as asas de um corvα.

Adaptada por Daniela Persira de Carvalho, a trama complexa é compreensível mesmo para quem não leu o livro. A genialidade da encenação reside em tornar a alegoria política de Orwell viva e visceral. O romance é uma sátira mordaz à traição da Revolução Russa, onde os porcos (os boicheviques, sendo Napoleão uma clara representação de Stalin) deturpam os ideals de igualdade para Instalar uma tirania mals opressiva que a anterior na fazenda tomada pelos animais. Sansão, o cavalo, personifica o proletariado leal e ingênuo. O corvo Moisés simboliza a religião, que promete vida melhor após a morte. As ovelhas são a massa facilmente manipulável.

A construção dramática atinge seu climax na potente cena final. A transformação do porco lider, que se levanta e passa a caminhar sobre duas patas, reproduzindo a forma e a postura do Inimigo original Homem, é o ato final da corrupção ideológica. Essa metamorfose detalhista de Damasceno culmina no mandamento incômodo que sela o cicio do poder: "Todos os Animals são iguals, mas alguns animais são mais iguals que os outros. Dirigida por Bruce Gomlevsky, a peça é um lembrete vivido e atemporal de que a tirania se adoma com as cores da revolução, mas inevitavelmente desembrulha uma paisagem cinzenta sem meios-tons,

FICHA TÉNICA

Com Gustavo Damasceno | Encenação, cenário e figurino: Bruce Gomlevsky | Dramaturgia: Daniela Pereira de Carvalho | Iluminação: Elisa Tandeta | Produção: Gabriel Garcia

SERVIÇO:

OUTRA REVOLUÇÃO DOS BICHOS

📅 de 1 a 5 de outubro (apenas 5 apresentações) Quarta, quinta, sexta e sábado às 20h - Domingo às 19h

🔞 Classificação indicativa: 14 anos

⏳️ Tempo de duração: 80 minutos.

🎫 Ingressos: R$ 100,00 [inteira] R$ 50,00 [meia]6️⃣Vendas online: SYMPLA (haverá bilheteria física no teatro 2h antes do início da sessão)


 

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