Ballet Stagium emociona com "Memória" e "Maré Cheia" no Complexo Funarte

Ensaio de crítica por Arnaldo D'Ávila 

A companhia paulistana Ballet Stagium, referência na dança brasileira, retorna aos palcos do Complexo Funarte com duas obras que celebram sua trajetória e reafirmam seu compromisso com a cultura nacional, Memória e Maré Cheia. Em um momento especialmente simbólico, os espetáculos ganham ainda mais força por serem apresentados poucos meses após o falecimento de Décio Otero, cofundador e diretor artístico da companhia, ao lado de Marika Gidali.

Marika Gidali  - foto: Arnaldo D’Ávila 
"Memória", um tributo à história do Stagium 

Memória é mais do que uma coreografia, é um mergulho afetivo na trajetória do Ballet Stagium desde sua fundação em 1971. A montagem resgata trechos emblemáticos de obras que marcaram a identidade do grupo, revelando a riqueza estética e o engajamento político que sempre nortearam sua criação. A brasilidade pulsa em cada movimento, com referências à cultura popular, à música nacional e às questões sociais, do Brasil,  da América  Latina  e do Mundo, que o Stagium nunca deixou de abordar.

Memória - foto Arnaldo D'Ávila 
O espetáculo é uma aula viva de história da dança contemporânea brasileira, e emociona tanto os admiradores antigos quanto os novos espectadores. É imperdível para quem deseja compreender o papel transformador da arte e o legado de uma companhia que sempre dançou com o coração voltado para o Brasil.

"Maré Cheia", Clara Nunes em movimento

Inspirada no universo poético e musical de Clara Nunes, Maré Cheia é uma celebração da força feminina, da ancestralidade afro-brasileira e da espiritualidade que permeia a obra da cantora. A coreografia, última dirigida por Décio Otero, é um verdadeiro espetáculo visual e sensorial, os figurinos de Márcio Tadeu são magníficos, os ritmos envolventes, e a dança transborda energia e emoção.

Maré Cheia- foto: Arnaldo D’Ávila 

Maré Cheia- foto: Arnaldo D'Ávila 
A montagem honra a memória de Clara Nunes com respeito e criatividade, traduzindo em gestos e corpos a beleza de suas canções e a profundidade de sua mensagem. A presença das afrobrasilidades é marcante, e o espetáculo se torna um rito de celebração da cultura negra brasileira.

Talento jovem e excelência técnica

O jovem elenco do Ballet Stagium impressiona pela técnica refinada e pela entrega cênica. Eugenio Gidali se destaca com uma precisão e expressividade que encantam, sua dança beira a perfeição e é um verdadeiro deleite para o público.  Outra grata surpresa foi assistir  o jovem bailarino Lucas Madruga,  um conterrâneo de Jaguarão no Rio Grande do Sul, lá da fronteira  com o Uruguai, sua presença no palco é vibrante.

Completam o elenco: Ádria Sobral, Beatriz Malhado, Bruna Costa, Carolina Rojo, Nicole Donetti, Tatiana Garcia, Eduardo Albuquerque, Henrique de Sá, John Santos, Nicollas Seixas, Marcos Palmeira e Larissa Leal e representam a nova geração de bailarinos que mantém viva a chama do Stagium, provando que o legado de Gidali e Otero continua pulsando com vigor.

Assistir a Memória e Maré Cheia é mais do que apreciar dança, é vivenciar a história, a cultura e a alma do Brasil em movimento. Não perca essa oportunidade de se emocionar com uma companhia que há mais de cinco décadas transforma o palco em território de resistência, beleza e identidade.

No dia 12 de novembro, às 19h o Ballet Stagium apresentará na Sala Pascoal Carlos Magno do Teatro Sérgio Cardoso,  "Memória" e "Adoniran" outra importante coreografia de Décio Otero, com ingressos  grátis. 

SERVIÇO:

"Memória" e "Maré Cheia"

07 à 08 de novembro, às 20h.

09 de novembro, às 18h.

Complexo Cultural Funarte 

Alameda Nothmann, 1058 Campos Elíseos - São Paulo, SP

Ingressos R$ 40,00 pela plataforma Sympla ou uma hora antes na bilheteria do teatro,  conforme  disponibilidade. 


Comentários