Estilhaços poéticos contra a tradição — o experimento polifônico de Black Machine
O espetáculo Black Machine surge como uma provocação estética e política, defendendo o ser humano como “pleno de possibilidades e oportunidades”, nas palavras de Eugênio. A montagem se insere no campo do audiovisual expandido, com música constante e uma videografia projetada em três telas que dialogam intensamente com as dramaturgias sonora e textual. Em cena, Fernando Lufer e Marina Esteves dão corpo a textos que, em diversos momentos, se aproximam da linguagem do spoken word, criando uma atmosfera de manifesto poético. Black Machine - foto: Sergio Silva A proposta visual aposta no afro-surrealismo, mesclando passado, presente e futuro em um mesmo espaço-tempo. Essa simultaneidade expõe feridas históricas, evoca ancestralidades e constrói novas realidades, em um gesto que desafia a linearidade narrativa tradicional. A estética se torna, assim, um campo de resistência e reinvenção, onde o palco se transforma em território de memória e futuro. Na sinop...