Closer, em cartaz no Teatro Vivo

Por Arnaldo D’Ávila 

A primeira vez que assisti "Closer" de Patrick Marber foi em 2000, no Teatro de Cultura Artística, com o título: "Mais Perto", sob a direção de Hector Babenco. Renata Sorrah, José Mayer, Marco Ricca e Guta Stresser integravam o elenco. A peça  foi em escrita  1997 e montada em mais de 30 países.  Em 2004 recebeu a adaptação para o cinema,  com Marber assinando também o roteiro e Mike Nichols na direção. O elenco do filme é estelar, Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen. A produção recebeu diversos prêmios e indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro, no Brasil o filme recebeu o título  "Closer - Perto Demais", Tanto a peça quanto o filme se passam em Londres e mergulham nas intricadas relações amorosas, centrando-se em dois casais cujas vidas se cruzam em meio a desejos, traições e segredos.   Em 2007, o Cultura Inglesa Festival apresentou uma nova montagem, com direção de Luiz Arthur Nunes e com Ângela Dip, Rachel Ripani, Daniel Faleiros e Joca Andreazza no elenco, foram apenas quatro apresentações, uma pena merecia uma temporada  maior. 

Larissa Ferrara é Alice Ayres - Foto: Heloisa Bortz
Neste final de semana, uma nova montagem estreou em São Paulo, no Teatro  Vivo, sob a direção de Kiko Rieser, com José Loreto, Larissa Ferrara, Marjorie Gerardi e Rafael Lozano. Mesmo após quase três décadas, a força do texto original permanece intacta, mostrando sua atemporalidade. A peça se destaca por sua trama inteligente, que aborda as relações humanas de forma honesta e sem rodeios. Uma anti-comédia romântica que combina elementos de tragédia, comédia e melodrama, explorando a complexidade do amor e do desejo, a traição, o abandono e as pequenas crueldades do dia a dia. A história acompanha os encontros e desencontros das quatro personagens, com reviravoltas e mudanças constantes nos relacionamentos. 

Uma das qualidades da montagem é a cenografia versátil de Bruno Anselmo, que se harmoniza perfeitamente com o videomapping criado por André Grynwask e Pri Argoud. No entanto, as projeções poderiam ser mais intensas; talvez projetores mais potentes valorizassem ainda mais o excelente trabalho deles. A Iluminação de Gabriele Souza é muito  criativa, por vezes direcionada  em ângulos precisos, para o brilhante piso preto do cenário, para então ser refletida nos atores, somando-se delicadamente na encenação, criando atmosferas e valorizando a cenografia. 

Rafael Lozano, Larissa Ferrara, Marjorie Gerardi e José Loreto 
Foto: Helena Bortz
A atuação de Larissa Ferrara, no papel da stripper Alice Ayres (ou Jane Jones), é um dos grandes trunfos do espetáculo. Ela se destaca de forma notável, demonstrando sua habilidade técnica e sensibilidade na construção de uma personagem complexa e multifacetada. Larissa demonstra uma excelente composição ao equilibrar a delicadeza e a resiliência de Alice, navegando entre a fragilidade e uma certa firmeza emocional. Logo de início, a atriz molda uma personagem que, num primeiro olhar, pode transparecer superficialidade ou uma certa falta de interesse em criar vínculos significativos. Entretanto, é pela sua atuação perspicaz notamos a complexidade e as contradições internas de Alice, evidenciadas por suas incertezas e desilusões. O que se destaca na atuação de Larissa é a sua habilidade em trabalhar as emoções de maneira exata, sem apelar para exageros. Cada ação, cada frase proferida, é carregada de um significado intenso, e a atriz consegue expressar a angústia, o anseio, a frustração e o fascínio da personagem sem resvalar em clichês. Sua interpretação é rica em detalhes, e é muito interessante observar como ela alterna entre a sensualidade e a fragilidade com uma espontaneidade notável. O ponto alto de sua atuação ocorre nas cenas em que Alice encara seus próprios sentimentos e enfrenta a realidade de sua relação com Dan, interpretado pelo talentoso Rafael Lozano. Larissa, nesse instante, transmite a turbulência emocional da personagem, buscando sempre o tom adequado de tensão emocional. A atuação de Larissa Ferrara é o grande pilar desta montagem de "Closer". Sua performance é intensa, delicada e repleta de nuances emocionais, o que não apenas valoriza a obra de Patrick Marber, mas também ilumina a personagem de uma nova forma. 

A peça  está  em cartaz  no Teatro  Vivo de quinta  a domingo, até  27 de julho, mais  informações e ingressos  na Plataforma Sympla ♾️

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